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Roupeiro querido e dedicado, Cocada havia preparado um incentivo especial para os jogadores antes da final da Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, da Colômbia

A imagem triste mostra cartazes de motivação em meio aos destroços na Colômbia. As fotos dos membros da delegação ao lado de seus familiares pedia: ”Seja campeão por eles”. Por mais que pareça um material de preleção, quem estava por trás daquele gesto era um roupeiro. Uma das vítimas da tragédia, Anderson Donizete preferia ser conhecido apenas por Cocada. Apelido tão carinhoso quanto suas atitudes. Fazia tempo que o funcionário gastava dinheiro do próprio bolso para deixar vestiários de diversas cidades mais acolhedores para o seu time. Ele gostava de fazer e dar surpresas. A última e mais emblemática, no entanto, não chegou a ser entregue.

Seus amigos próximos tinham as ferramentas que Cocada precisava para entregar um trabalho muito além do necessário. Para cada jogo como visitante, ele levava painéis com nomes e fotos de cada um dos atletas para pendurar na parede. Pedro, o parceiro e ajudante do roupeiro nessas missões, revelou a história. Mas não quis aparecer ou divulgar seu trabalho: ”Quero contar em forma de homenagear o que ele fez e ninguém viu”.

Acostumado a fazer cartazes para o time, Cocada queria algo diferente em 2016. A Copa Sul-Americana pedia mais. Uma competição internacional em que a Chape sempre soube, desde o começo, que podia ir longe. No torneio, os painéis tinham de ser novinhos e estilizados, com o nome da competição em cima. Desde o jogo contra o Cuiabá até a semifinal, lá estavam eles. Feitos por Cocada, novamente com ajuda do amigo Pedro.

Material gráfico feito pelo ropeiro Cocada, Chapecoense (Foto: Arquivo pessoal)

Material gráfico feito pelo roupeiro Cocada, Chapecoense (Foto: Arquivo pessoal)

Os banners feitos por ele foram entregues aos parentes das vítimas no velório da Arena Condá. Cada família circulou pelo gramado carregando o seu. Um gesto que, de certa forma, representa muito para as pessoas próximas do roupeiro que jamais pediu reembolso ao clube pelo trabalho extra. Ele nem queria, fazia de forma genuína.

Mas a grande final merecia algo diferente para tocar aquela equipe no vestiário em Medellín. Novamente com a ajuda do trabalho do amigo Pedro, os cartazes teriam um toque todo especial, com as fotos dos familiares de todos os membros do time e da comissão técnica. Foi um trabalho árduo, feito com ajuda das redes sociais e do marketing do clube. Mas tudo ficou pronto antes da viagem. Em cima de cada foto, haveria ainda