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sábado, 4 de março de 2017

Investigação ainda busca esclarecer desmatamento ilegal durante carnaval

O desmatamento ilegal de uma área de preservação ambiental no bairro de São Marcos, em Salvador, durante o período do carnaval ainda é um mistério para órgãos públicos de fiscalização. A situação foi denunciada por moradores do local, que disseram que a derrubada de árvores na reserva de mata atlântica começou na sexta-feira (24). Especialistas dizem que o local desmatado, que fica na Travessa Alto do Mandu, que dá acesso à Avenida Gal Costa, pode demorar até 20 anos para se recompor.

Nesta quinta-feira (2), representantes de movimentos ambientalistas foram ao Ministério Público (MP-BA) para protocolar um documento pedindo a instauração de um inquérito para apurar e punir os responsáveis pelo desmatamento.
Área de preservação ambiental foi desmatada durante carnaval em Salvador (Foto: Reprodução/TV Bahia)
A Companhia de Polícia de Proteção Ambiental (Coppa) disse que o desmatamento teria sido feito por uma construtora, mas não informou o nome da empresa, e ainda destacou que o relatório da apuração sobre o caso será encaminhado para a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público da Bahia (MP-BA) para adoção das medidas cabíveis.
"[O documento] Vai ser encaminhado para o delegado e para a Coppa [Companhia de Polícia de Proteção Ambiental], para que eles possam investigar se existe algum alvará, alguma autorização, para que possamos chegar a autoria", afirmou a promotora de Justiça Márcia Teixeira.

Para a representante do Instituto Búzios, de defesa ambiental, Marcele do Valle, não há dúvidas que a ação foi ilegal.  "Já ficou patente que as coisas que aconteceram ali estavam ilegais, porque não tinha alvará. As pessoas foram abordadas e não tinha nenhuma placa de indicação da obra", destacou.
Área de preservação ambiental foi desmatada durante carnaval em Salvador (Foto: Reprodução/TV Bahia)
O secretário estadual de Meio Ambiente, Geraldo Reis, disse que não houve nenhum pedido de licença para desmatar o espaço. "As informações que nós temos, tanto através do Inema [Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos] como através da Sucom [Secretaria Municipal de Urbanismo], é que não houve nenhum pedido de licenciamento nem no estado e nem na prefeitura", destacou.

A bióloga Daniela Falcão falou sobre os impactos causados pelo desmatado e disse que a área vai demorar ao menos duas décadas para se recompor. "A gente vê que houve perda de árvores, da vegetação e da fauna. Espécies que são mais lentas, como répteis, anfíbios invertebrados, morreram. A gente pode ver que o córrego está aterrado. Sempre que a gente tem esses cursos d'água, é preciso preservar as áreas no entorno, que a gente chama de mata ciliar. Elas têm que ser mantidas porque senão o rio tende a ser assoreado", disse.

Até a quarta-feira, uma das máquinas utilizadas para o desmatamento continuava no local e, de acordo com moradores, foi retirada durante a madrugada desta quinta-feira, por homens armados. "Duas e meia da manhã dessa madrugada, cerca de dez homens levaram a máquina daqui. Agora, que são esses homens ninguém sabe", afirmou a enfermeira Thamires Marques.

A Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado (Sedur) classificou a situação como crime ambiental e disse que aguarda a identificação dos criminosos pela polícia para tomar as medidas cabíveis. O órgão divulgou, ainda, que vai manter a fiscalização na área.
Do G1

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